terça-feira, 9 de março de 2010

Isto aqui


Bem, para que saibam que a minha vida aqui está mesmo a ajustar-se, ainda que os meus períodos de silêncio demorados assim o indiquem, vou contar-vos um pouco da vida de todos os dias, aparte a festa e o ócio.

Normalmente saio de casa cedo, bem, 8:30 não será muito cedo, mas se comparar com o horário de Coimbra... normalmente vou para o Campus com a Ana que, como já vos disse, é muito parecida com a Rita, e no que toca à condução está especialmente próxima, es que se queda muy nerviosa con todo, sabes? o que faz das viagens tudo menos enfadonhas.

O Campus é uma pequena cidade pensada exclusivamente para a Universidade, desde as residências aos bares, desde os campos de desporto aos serviços de saúde, tudo parece ter sido pensado para os estudantes, professores e todo o pessoal necessário para fazer funcionar este lugar. Os jardins são riquíssimos e o ambiente é muito agradável.

No meu departamento trabalha-se tão bem que nem parece trabalho. Chego, trato de ligar os aparelhos, se ainda ninguém ligou, desço para tomar café com o pessoal de aí, voltamos, ligamos o rádio e competimos pelo troféu de peor cantante del lab. Se por algum acaso o telefone toca, calamos, baixamos o rádio e quem está mais próximo atende com um tom muito sério: Química-Física! Nunca é ninguém importante, mas convém, ao menos ao telefone, manter alguma postura!

O resto fica para outro dia, que agora morro de sono.

beijos com muitas saudades

segunda-feira, 1 de março de 2010

Vida tão estranha




Já passou um mês! Parece que cheguei ontem mas já passou uma mês. Os lugares deixam de ser completamente novos e as pessoas começam a ser familiares. Surge já o sentimento do conforto de casa e dos lugares que já chamo meus! O voo das cegonhas já não é estranho e a cor quente do tijolo de Alcalá, o cheiro doce faz-me pensar que o meu lugar é aqui. Ainda não vejo os monstros, que mais não são do que moinhos de vento, mas, ajude-me Don Quixote e o seu fiel Sancho, que, quando me for a um "lugar da Mancha, de cujo nome não quero lembrar-me" hei-de vê-los eu também!
A vida é um lugar estranho, que nos atira de um lado para o outro e, às vezes, obriga-nos a deixar pessoas e coisas para trás. Há coisas que nunca mudam, mas sim, feliz, ou infelizmente, HÁ COISAS QUE MUDAM... posso lamentar, mas é melhor que não o faça, pelas coisas que perdi ou que simplesmente deixei. Porque o meu rumo é o norte, e não vale a pena olhar para trás. Mais vale estender as asas, qual cegonha em trânsito que ruma a África e nos olhos leva ainda a imagem do ninho no cimo da torre da igreja cor de terra, cor de vida! Mais vale fitar o horizonte longínquo sem saber para onde vou a seguir e continuar a acreditar, razoavelmente ou não, que o meu ninho está ainda de pé, à espera que eu ou a vida me faça voltar!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Joan Manuel Serrat (1943) Cancionero

Vuela esta canción
para ti, Lucía,
la más bella historia de amor
que tuve y tendré.
Es una carta de amor
que se lleva el viento
pintada en mi voz
a ninguna parte
a ningún buzón.
No hay nada más bello
que lo que nunca he tenido.
Nada más amado
que lo que perdí.
Perdóname si
hoy busco en la arena
una luna llena
que arañaba el mar...
Si alguna vez fui un ave de paso,
lo olvidé para anidar en tus brazos.
Si alguna vez fui bello y fui bueno,
fue enredado en tu cuello y tus senos.
Si alguna vez fui sabio en amores,
lo aprendí de tus labios cantores.
Si alguna vez amé.
Si algún día
después de amar, amé,
fue por tu amor, Lucía.
Tus recuerdos son
cada día más dulces.
El olvido sólo
se llevó la mitad,
y tu sombra aún
se mete en mi cama
con la oscuridad,
entre mi almohada
y mi soledad.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Cap. 5 Esta vida de Tapas e Fiesta

A vida corre rápido! Hum... Ou então sou eu que me estou a habituar ao ritmo da siesta e tudo parece voar... Não sei o que tem o ar que nos dá um sono a seguir ao almoço que nos mata...
Mas bem, esta última semana foi algo cheia! No fim-de-semana fui a Madrid e cheira-me que lá vou passar muito tempo! Mas a esse mundo reservarei posts individuais. Na segunda mudei-me para a Calle Rio Jucar. Adivinhem o número! 11! lol Não é um apartamento, é uma casa de 2 pisos, 5 quartos 3 casas de banho, uma sala gigante, cozinha, 2 mini varandas e um pátio interior. Muito fixe a casa! E melhor a companhia! Somos 3 tugas, eu, a Gabi e o Damien, a Manuela que é Romena, o namorado dela, espanhol, e a Ana, também espanhola. Acreditem, não podia encontrar melhor companhia! Acho que fomos uma lufada de ar fresco para elas, e elas uma ajuda preciosa para nós, de maneira que estamos a formar uma micro família muito fixe! Temos de nos obrigar a não ir de tapas todos os dias, porque jodemos o dinheiro todo, que ainda por cima nem sequer temos... mas pronto!
A faculdade é excelente, como já vos disse o Campus está muito bem organizado e é muito agradável. Com o sol o pessoal deita-se na relva do jardim, que, por sinal, está sempre limpo e sabe mesmo bem abancar por ali! Estou a começar o meu trabalho, que me vai obrigar a estudar muito mesmo, como já não o fazia à muito tempo... mas é a vida! Hoje passei o dia todo com o nariz metido nos livros que me indicaram. Tenho a cabeça feita em água, mas não há crise!
E não há crise porque hoje é o jantar internacional no Gabanna: levamos qualquer coisa do nosso país para partilhar com o pessoal todo e há bar aberto das 8 às 12!!! Rezem por mim, que eu morro. Entretanto vou falar com os meus "tutores", que nos tentaram ligar no outro dia, quando estávamos nas tapas e nem sequer ouvimos! Hoje saímos todos juntos. Entretanto recebi mails de mais 2 gajos a dizer que também são meus tutores, não entendo muito bem, mas tass.
Entretanto tenho a dizer que a cerveja não é grande coisa e, às vezes, parece mijo de burra, mas, joder, à força de muita já me estou a acostumar. O problema é que sábado vão cá chegar duas grades (Sagres e Super Bock) e lá se vai o meu treino! lol Vamos a ver...

E para já é tudo, deste lugar cheio de historias de D. Quixote e Sancho Pança, e su Dolcineia!

sábado, 30 de janeiro de 2010

Cap. 4 Chegar a Alcalá (Parte II)


Bem, lá me instalei, finalmente, como deve ser! A casa é porreira, o meu quarto não é muito grande mas dá perfeitamente. O único problema é a minha senhoria, que raramente está, mas quando está é tão chata, mas tão chata, que ainda agora cheguei e já não a suporto, e vocês sabem que eu até sou uma pessoa paciente! Está sempre a dizer-me como faço tudo: como lavo a loiça, como limpo a banca, há 3 panos diferentes, um para lavar a banca, um para secar outro para secar as mãos; há um pano só para o fogão, um só para o micro-ondas, como se liga a torneira, como se desliga... Vejam bem que até queria vir ensinar-me a abrir uma janela de correr! E, não sei porquê, não suporta o Damien... Acha que ele é meu novio e que n pode estar aqui "la habitación es solo para una pelsona! no pala dos pelsonas! Antonio no dice nada pelo lo piensa!" enfim, assim que puder mudo-me! Já tenho um sítio em vista muito bom, mas falarei disso depois.

Na noite em que vim o Damien não tinha onde ficar. Já tinha arranjado quarto mas só podia mudar-se no dia seguinte, e no hotel onde tinha ficado estes dias já tinham reservas anteriores e estava cheio, por isso, desse por onde desse ele tinha de ficar aqui em casa. Assim foi, ele veio cá, jantámos, ele ajudou-me a desfazer as malas e dissemos que íamos tomar café, porque sabíamos que quando voltássemos já toda a gente estaria a dormir.

Fomos tomar café a uma cafeteria na Calle Mayor e descobrimos um sítio que farei questão de fotografar para vos enviar: um banco de jardim onde estão sentadas duas figuras que marcam todos os cantos de Alcalá, Don Quixote de La Mancha e Sancho Pança, o seu fiel escudeiro! muito giros mesmo! Entrámos num barzeco muito antigo, mas lindíssimo, com pormenores muito bem conservados, espelhos, molduras, quadros... muito giro mesmo. O Damien pediu uma Coronita e eu queria só um café, a máquina é que já estava desligada, mas o senhor diz-me que se eu não me importasse, fazia-me o café no microondas. Eu, como estava cheia de frio e só queria qualquer coisa quente, disse-lhe que não me importava, mal sabia eu que daí a um minuto o homem estava entregar-me um copo de leite mais quente do que ferro fundido com um pacotinho de Nescafé descafeinado! :s Claro que eu e o Damien desatámos a rir, mas lá bebi o leite com café, que até soube muito bem!

Na quinta-feira fomos finalmente à faculdade! Encontrámos o Prof. Esteso e combinámos começar a trabalhar na próxima segunda-feira, dia 1 de Fevereiro! Mas o mais interessante foi conhecer todo o campus, que é, no mínimo, fantástico (é quase uma mini cidade construída para a universidade) e conhecer o meu tutor e os amigos. Dani del Blanco, Gonzalo Bas e Miguél, mais conhecido por Micky... e sobre este assunto, não digo, para já, mais nada!

De tarde fui ajudar o Damien nas mudanças para o apartamento que ele arranjou e conheci a Gabi e as lituanas: a Raza, a Biquita (não sei se se escreve assim...) e a Wilma. Quanto ás moças loiras e segundo elas, muito exóticas, estavam loucas com o Damien e não o largaram, ele próprio já se estava a sentir incomodado, a Gabi é muito fixe! É de Viseu e estuda Arquitectura na Covilhã, está cá desde o início do ano e adora isto, por isso é uma óptima guia! Está a tentar fazer Almeida Garret para o ano em Coimbra... Eu aconselhei, claro!

Quinta-feira à noite, um grupo de estudantes estrangeiros, um bar para ERASMUS, claro que fomos ao Gabannabar, ainda que só para ver como aquilo é. Infelizmente, e porque as lituanas não se despacharam, a beber uma mistela-de-borra-de-café-com-um-licor-ou-uma-merda-qualquer, quando lá chegamos já tinha passado a happy hour, em que os estudantes estrangeiros têm à pala sangria, cerveja e chupitos, por isso lá pedimos uma Budweiser, que era a cerveja mais normal que lá havia (já que eu tinha bebido uma Amstel de pressão ao almoço que morreu a sair do barril). Não era má, a cerveja, mas custou-nos 3,00 EUROS (Fooooooooooda-sssssssse) e era de 30 cl. Não deu para nada, mas, à tugas, também não pedimos mais nada. Lá no bar foi muito fixe mesmo, mas a tensão sexual ali dentro é uma coisa incrível. Um preto veio ter comigo e com a Gabi a jurar que tinha estado connosco a semana passada em Toledo ou em Leon, já não me lembro, ao que nós dissemos que sim e ignoramos o tipo, que era bastante melga e feio. As lituanas rondavam o nosso português, mas como ele não lhes pagava nada, lá se viravam de vez em quando para outros territórios... eu acabei a noite a falar com um italiano, cujo nome já não me lembro, mas que ficou muito feliz por eu falar italiano e conhecia de Portugal o Fado e os Portishead! (?) Achei melhor não contrariar...



E foi a primeira festa nesta Espanha louca! Mas a mim cheira-me que foi a primeira de muitas, muitas, muitas... e com histórias a perder de vista!


PS: Desculpem a péssima qualidade da foto. Mas não havia máquinas, só telemóveis...
PS2: Acreditem ou não, não passou 'I gotta feeling' uma única vez!


quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Cap. 3 Em Portugal


Domingo à noite estava outra vez em Portugal! Comprei viagem para Madrid na quarta, dia 27. Só queria dormir, esquecer estes dias, vir para Espanha e seguir adiante com isto, de uma vez por todas! Passei a segunda-feira toda por casa, com o meu afilhado que me ia dizendo: "Oh Madrinha, estás doente? Não estejas triste que eu dou-te muitos beijinhos!" E a criança lá me foi conseguindo animar...


Na terça já estava mais confiante! Dormi melhor e tudo! Fui tomar cafezinho com uns amigos e, quando ia já para casa tratar de arrumar o resto das coisas, e como se já não me tivessem acontecido contra-tempos suficientes, o condutor de uma carrinha da EDP decidiu que a melhor altura para acelerar de marcha atrás a sair de uma estacionamento era precisamente aquela em que eu estava a passar exactamente atrás. Resultado: parte da frente do meu carro desfeita, o carro sem andar e eu, felizmente, ilesa (o que me falta acontecer mais?)...

Já diria o outro que a vida tem destas coisas, por isso decidi não me chatear mais com isto. Desgasta-me demasiado. O carro ficou na oficina do Sr. Ribeiro e eu deixei lá também as minhas preocupações. Fui de madrugada para o Aeroporto Francisco Sá Carneiro, esperei 10 horas pelo avião, voei uma hora até Madrid, meia hora de metro e comboio até Alcalá e cheguei finalmente a casa!

Cap. 2 Chegar a Alcalá (Parte I)


Cheguei a Alcalá de Henares no sábado, dia 23.
A minha família deu-me uma ajuda bastante significativa, porque da viagem fez passeio e eu pude, de carro, trazer as minhas tralhas todas e poupar uma viagem de avião. Chegámos, e começámos imediatamente a procurar uma casa para mim já que era imprescindível arranjar um sítio onde deixar todo o volume que enchia o porta bagagens. Mirámos um quarto no 4º andar do numero 2 da Calle Giner de los Rios e pareceu-nos bem. Não é muito barato, a dona é uma chinesa chata como a potassa mas tudo bem. Mora mais um chico espanhol, professor/estudante, mui simpático, inteligente, boa conversa e 2 dedos de cara. Para já era a melhor opção ficar com esse quarto, se não for ate ao fim, pelo menos até encontrar algo melhor, até porque a ideia inicial era morar com o Damien, e se com mais gente, melhor.
Tudo certo, pagámos um mês de fiança à chinoca e fomos buscar as minhas coisas. Quando estamos a pôr as coisas no quarto chego à brilhante conclusão que tinha deixado o meu computador em casa (Portugal). Nem sei como explicar a frustração! Ficámos todos chateados porque eu tinha mm de ter o computador aqui e mandá-lo pelo correio era mais caro do que ir com eles de carro para casa e voltar de avião pela Ryanair. E foi o que decidi fazer.
Arranjámos um hostal para ficarmos nessa noite, tentámos descansar o possível dado o estado de espírito de toda a gente e, na manhã de Domingo começámos a rumar a casa. Mas, já que tínhamos feito a viagem toda, não seria em vão e, para aproveitar, aventurámo-nos ainda no centro de Madrid para ver as vistas e dar um saltinho ao Museo Nacional del Prado.